Reforma
O recente episódio da derrota do
Executivo na reedição da
Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira prova, mais
uma vez, o quanto estamos frágeis
diante de uma legislação inadequada
aos tempos atuais. Há muito se fala
em reforma tributária, mas o que se
vê é a criação de novos impostos e o
constante adiamento da discussão e
aprovação de um modelo capaz de
sustentar o desenvolvimento que se
precisa, sem sacrifício da população
brasileira. Desta vez, a grande
responsável pela interrupção da
cobrança da CPMF foi a união
empresária, liderada pela Federação
das Indústrias do Estado de São
Paulo. Quando o Governo insistiu em
transformar em Lei a Medida
Provisória que penalizaria a massa
de trabalhadores prestadores de
serviços (a famosa MP 232), a
derrota aconteceu devido à forte
pressão da sociedade, como foi
amplamente divulgado. Com propostas
de peso já na gaveta do Congresso
Nacional, está na hora, também, de a
sociedade reclamar e apoiar projeto
para uma ampla reforma trabalhista
no Brasil. O que tem se visto até
agora são remendos numa legislação
arcaica, com quase setenta anos de
existência, que está engessando a
crescente demanda por empregos no
País. A CLT associada à fiscalização
e ingerência demasiada do Estado nas
relações de trabalho se transformou
na maior vilã do empregado e do
empregador. Se por um lado o
trabalhador fica feliz por ter
assegurado pelo “papai Estado” toda
uma série de direitos (pagos,
diga-se de passagem, não pelo
Estado, mas pelo combalido
empregador) por outro, esse mesmo
trabalhador, amarga a dificuldade de
conseguir um emprego com todos os
direitos assegurados pelo Estado.
Isso porque para as empresas, em
especial para as microempresas, tem
se tornado extremamente difícil
arcar com o peso dos encargos
sociais que equivalem a mais de 100%
do salário pago ao empregado. Em
país nenhum do mundo acontece algo
parecido. A Reforma Trabalhista é
necessária! Ninguém precisa da
tutela tão expressiva do Estado nas
relações do trabalho. Há de se dar
aos empregados e empregadores,
através de seus representantes, o
pleno direito de decidir seus
destinos e delinear o futuro. Os
Sindicatos, conhecedores das
peculiaridades de cada categoria que
representam, têm, com certeza, a
competência para substituir a mão do
Estado numa área tão sensível ao
desenvolvimento do País, de forma a
dotar as relações do trabalho da
modernidade que o progresso e a
concorrência mundial há muito estão
a pedir. Reforma Trabalhista já!